
O Substack funciona em Portugal como em qualquer país onde o Stripe opera: publicar é grátis sem limite de subscritores e, quando ativas subscrições pagas, o Substack fica com 10% de cada pagamento e o Stripe com a taxa de processamento, mais 0,7% de faturação recorrente. O dinheiro cai na tua conta portuguesa em cerca de 48 horas. O que a maioria dos guias não te diz: os leitores portugueses não podem pagar com MB WAY, quem subscreve pelo iPhone entrega mais 15-30% à Apple, e o IVA é problema teu, não do Substack. Este guia percorre cada um desses pontos com as regras oficiais à data de agosto de 2026 e faz as contas para três newsletters portuguesas típicas.
Marcas comparadas neste artigo
Como funciona o Substack para um autor em Portugal
O Substack é editor, alojamento, envio de email e sistema de cobrança num só produto. Crias uma publicação, escreves, e cada post pode ser público, só para subscritores ou só para pagantes. Não há plano, não há mensalidade, não há limite de lista: uma newsletter gratuita com 50.000 leitores custa zero.
Para um autor português, três coisas contam à partida:
- Idioma e leitores. Escreves em português sem restrições e há uma cena real de newsletters portuguesas na plataforma; a lista das melhores newsletters portuguesas mostra quantas vivem no Substack. A interface de autor e de leitor continua só em inglês.
- Pagamentos. O Substack usa exclusivamente o Stripe, e Portugal está na lista de países suportados. Ligas uma conta Stripe portuguesa em Settings → Payments e defines preços em EUR (ou noutra moeda).
- Rede. O Substack diz que mais de 30% das subscrições pagas na plataforma nascem dentro da própria rede (recomendações entre publicações, app, Notes) e que mais de metade dos novos subscritores chega pelas funcionalidades de descoberta. Nenhuma alternativa te dá isto de borla.
Taxas do Substack em 2026: 10% + Stripe, linha a linha
Numa publicação gratuita não pagas nada. Ao ativar pagamentos, a página oficial de custos do Substack descreve exatamente esta estrutura:
| Componente | Valor | Quem cobra | Fonte |
|---|---|---|---|
| Comissão da plataforma | 10% de cada transação | Substack | support.substack.com |
| Processamento de cartão | 2,9% + $0,30 no exemplo das docs (conta EUA); assumindo as taxas PT da Stripe numa conta portuguesa: cartões EEE 1,5% + €0,25, internacionais 3,15% + €0,25 | Stripe | support.substack.com + stripe.com/pt-pt/pricing |
| Faturação recorrente (Stripe Billing) | 0,7% por pagamento (desde julho de 2024) | Stripe | support.substack.com |
| Conversão cambial | 1% a 2% quando o leitor paga noutra moeda | Stripe | support.substack.com |
| Compras na app iOS | +15-30% da Apple, descontados juntamente com os 10% do Substack | Apple | support.substack.com |
Há um preço mínimo: $5/mês e $30/ano em contas em dólares (noutras moedas pode variar), sem opção de plano só anual. E existe o "Founding member", um plano anual em que o leitor paga o valor que quiser acima do anual normal.
Moedas, MB WAY e como os leitores portugueses pagam
Por defeito, o Substack ativa localized pricing: defines o preço numa moeda base e o leitor vê o equivalente na moeda dele, arredondado para cima. O EUR aparece em 20 países da zona euro, e há CAD, GBP, AUD, BRL, CHF, DKK, MXN, NOK, NZD, SEK e PLN. Quando a moeda do leitor difere da moeda da tua conta Stripe, o Stripe cobra 1% a 2% de conversão e liquidação; o Substack arredonda o preço para cima para compensar. A regra prática para um autor português: define a moeda base em EUR e liga uma conta Stripe portuguesa; assim os leitores nacionais pagam sem conversão e só os estrangeiros pagam o extra.
Métodos aceites: cartões Visa, Mastercard, Discover e American Express, Apple Pay em dispositivos Apple e, para leitores na Europa, débito direto SEPA, iDEAL, Bancontact e Sofort. MB WAY e Multibanco não existem no checkout do Substack. Para uma newsletter gratuita é irrelevante; para converter leitores portugueses em pagantes é a maior fricção da plataforma, e o motivo pelo qual muitos autores cobram o conteúdo premium fora do Substack (mais abaixo).
Stripe, payouts e o que muda no iPhone
A ligação faz-se em minutos: Settings → Payments → "Connect with Stripe". O Stripe pede dados de identificação e uma morada, que pode aparecer nos recibos dos leitores, e uma conta bancária portuguesa. Sobre a conta Stripe em si, o guia do Stripe em Portugal explica o onboarding e a verificação.
Prazos que o Substack publica: os pagamentos web chegam à tua conta bancária em cerca de 48 horas de cada transação; o primeiro payout de uma conta Stripe nova demora 7 a 14 dias; depois podes escolher payouts diários ou semanais. Não há mínimo de levantamento nem taxa de payout: o Substack não toca no dinheiro, tudo passa pelo Stripe, e é lá que vês cada taxa discriminada.
O caso especial é a app iOS. Fora dos Estados Unidos, a Apple não permite links externos, por isso um leitor que faça upgrade dentro da app do Substack paga obrigatoriamente pelo sistema de compras da Apple. As regras do Substack para pagamentos na app iOS dizem que a Apple leva 15-30% (o Substack sugere "adjusted pricing", subir o preço na app para compensar), que a opção não se pode desligar, que os descontos que crias só valem na web e que o dinheiro dessas subscrições chega até 45 dias depois do fim do mês, ou seja, uma subscrição de janeiro só entra na tua conta Stripe por meados de março. Se um dia saíres do Substack, a Apple não transfere a relação de cobrança; ficas com o email do leitor e mais nada.
🇵🇹 A alternativa portuguesa: 0% comissão
Loja, cursos, comunidades e MB WAY nativo, com interface em português de Portugal.
Experimentar grátis →IVA e faturação: o Substack não faz isto por ti
Ao contrário do Patreon, que cobra e entrega o IVA dos membros como intermediário, no Substack o vendedor és tu: o Stripe é a tua conta, o cliente é teu, e o IVA de serviços digitais a consumidores na UE é responsabilidade tua. O Substack oferece uma integração opcional com o Stripe Tax: ativas na tua conta Stripe, pedes ao suporte humano do Substack para ligar a funcionalidade, e a partir daí o checkout calcula e cobra o imposto nas jurisdições onde registaste obrigação, com suporte a reverse charge quando um subscritor empresarial insere o número de IVA. Custa 0,5% por transação onde estás registado. Sem isto, o preço que o leitor vê é o preço final e o IVA sai do teu bolso, se aplicável.
Como sempre neste blog, o enquadramento fiscal (atividade aberta, faturas, regime de IVA) não é o tema; a Central de Ajuda tem o essencial e um contabilista fecha o resto. O que importa aqui é a decisão de produto: no Substack ganhas simplicidade de cobrança mas assumes a compliance sozinho.
Na prática em Portugal: três newsletters, três contas
Todos os cenários assumem conta Stripe portuguesa com as taxas PT da Stripe (cartão europeu standard 1,5% + €0,25, que o Substack não confirma por escrito para Portugal, só o exemplo americano), leitores a pagar em EUR, Billing 0,7% e nenhum pagamento via app iOS. Se a tua conta mostrar outra taxa, refaz as contas com a tua.
Newsletter de nicho, 25 pagantes a €5/mês (€125). Substack €12,50, Stripe €8,13, Billing €0,88: ficas com €103,50 (82,8%). Qualquer alternativa com mensalidade fixa custaria o mesmo ou mais neste patamar. Fica no Substack e cresce a lista.
Newsletter estabelecida, 60 pagantes a €10/mês (€600). Substack €60, Stripe €24, Billing €4,20: ficas com €511,80 (85,3%). São €1.058/ano em taxas, dos quais €720 são só a comissão do Substack. Se metade dos pagantes veio das recomendações da rede, é o custo de aquisição mais barato que vais encontrar; se vieram todos do teu Instagram, estás a pagar €60/mês por uma montra que não usas.
Newsletter a escalar, 200 pagantes a €10/mês (€2.000). Substack €200, Stripe €80, Billing €14: ficas com €1.706. Numa plataforma de mensalidade fixa com 0% de comissão pagas o Stripe e uma mensalidade na casa dos €25-40; a diferença passa dos €150 por mês. É a partir daqui que a conversa muda de "vale a pena?" para "quanto vale a rede?".
E o cenário que quase nenhum autor faz: 2.000 subscritores gratuitos e um produto avulso. Um guia em PDF a €19 vendido à lista, com 2% de conversão, são 40 vendas e €760 numa semana. O Substack não participa nesta venda porque não tem loja; numa plataforma de venda com MB WAY e checkout português a comissão é zero e só pagas o Stripe. Para muitos autores portugueses este produto rende mais do que a subscrição, e é a base do modelo descrito em como monetizar uma newsletter.
O que o Substack faz melhor e onde fica curto
Ganha em distribuição. Recomendações entre newsletters, app própria, Notes: nenhuma alternativa tem uma máquina de descoberta comparável, e é o único item que justifica sozinho os 10%. Ganha em simplicidade: zero configuração, zero manutenção, risco zero à entrada. E o email dos subscritores é exportável, ponto a favor.
Fica curto em vendas avulsas (não há loja para ebooks, cursos, sessões), em localização (interface em inglês, sem MB WAY, IVA por tua conta) e em controlo (o design, as regras e a experiência são do Substack; a app iOS impõe a Apple no meio).
Alternativas ao Substack para newsletters pagas em 2026
| Plataforma | Custo para cobrar subscrições | Comissão | MB WAY | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| €0/mês | 10% + Stripe | Não | support.substack.com | |
| Scale $43/mês ($517/ano), até 100k subs; o Launch grátis não tem subscrições pagas | 0% + Stripe | Não | beehiiv.com/pricing | |
| Ghost(Pro) | Publisher $29/mês (anual), 1.000 membros; o Starter $18 não tem subscrições pagas | 0% + Stripe | Não | ghost.org/pricing |
| Comfort €11/mês ou Power €19/mês até 500 subs; o Free (250 subs) não tem newsletters pagas | 0% + Stripe | Não | mailerlite.com/pricing | |
| Grátis até 10.000 subs; Creator $33/mês a 1.000 subs | 3,5% + $0,30 por venda | Não | kit.com/pricing | |
| €0/mês | 10% + processamento | Não | patreon.com/pricing | |
| Shelf (complemento) | €29/mês ou €99/ano | 0% em produtos/cursos/sessões; 5% em comunidades pagas | Sim | shelf.pt/precos |
