💼Guia principal · Começar no DigitalComo vender serviços online em Portugal (2026)→
Um designer que cobra à hora tem um teto conhecido: o número de horas que consegue trabalhar num mês. A saída não é cobrar mais por hora, é vender pacotes de âmbito fechado — identidade, kit de redes sociais, landing page — com entregáveis listados, número de revisões escrito e preço visível, cobrados com sinal à cabeça e saldo na entrega. Abaixo estão os intervalos de preço que dá mesmo para verificar em Portugal, o texto de âmbito que evita projetos infinitos e a conta das taxas de cobrança.
O preço à hora é um teto, não um preço
A matemática é cruel e repete-se em todos os freelancers de design. Cobras 25 €/h e o primeiro logótipo demora-te 12 horas: faturas 300 €. Ao quinto projeto do mesmo tipo já tens biblioteca de grelhas, presets e um processo, e fazes o mesmo trabalho em 6 horas. À hora, isso significa 150 €. Ficaste duas vezes melhor e passaste a ganhar metade.
O preço à hora tem ainda três efeitos secundários que ninguém escreve na proposta: obriga-te a justificar timesheets a quem acha que "isso faz-se num instante", transforma cada ideia melhor num desconto involuntário e faz o cliente medir-te por horas em vez de resultado.
A alternativa é preço por âmbito: defines o que entregas, em quanto tempo, com quantas revisões, e o preço é esse. Se queres a conta completa do teu custo-hora mínimo antes de fixar qualquer valor — férias, meses fracos e horas não faturáveis incluídos — está no guia de como precificar serviços. Aqui interessa a aplicação ao design.
Quanto se cobra por design em Portugal (o que dá mesmo para verificar)
Não existe tabela oficial de honorários de design em Portugal. O que existe são plataformas que publicam as médias dos orçamentos submetidos pelos profissionais nas suas próprias bases de dados. Não é estatística nacional, é o retrato de quem procura orçamento naquele sítio — mas é a única referência pública que se consegue abrir e citar.
| Serviço | Intervalo publicado | Fonte |
|---|
| Design gráfico (hora) | 15 € – 65 €/h, média 25 €/h | Zaask |
| Logótipos (projeto) | 200 € – 1.500 € | Zaask |
| Branding / identidade visual de marca | 800 € – 10.000 € | Zaask |
| Design gráfico para web (hora) | 20 € – 45 €/h | Zaask |
| Materiais publicitários (cartazes, flyers) | 100 € – 450 € | Zaask |
| Design editorial (catálogos, revistas) | 250 € – 2.500 € | Zaask |
| Design gráfico — orçamentos totais | média 178 €, entre 5 € e 1.300 € | Fixando |
Três leituras honestas desta tabela. Primeira: a Zaask atribui os 15 €/h a "profissionais júnior" e os 65 €/h a "designers com mais tempo de carreira", ou seja, o intervalo é de experiência, não de sorte. Segunda: a página da Zaask tem data de última modificação em dezembro de 2021, por isso trata-a como piso histórico e não como preço de 2026. Terceira: a média de 178 € da Fixando para um serviço de design gráfico completo mostra o que acontece quando compras e vendes por leilão de orçamentos.
Essa é a razão pela qual os marketplaces de serviços servem para arrancar e não para viver. Se estás a usá-los, o guia de como conseguir clientes online tem os números dos créditos que pagas por contacto e os canais que não te obrigam a competir por preço.
Os quatro pacotes que um designer deve ter à venda
Um pacote não é uma lista de serviços com um preço ao lado. É uma promessa com fronteiras: entregável concreto, prazo, número de revisões e uma linha explícita do que fica de fora.
| Pacote | O que entregas | O que fica de fora | Revisões | Prazo | Preço exemplo |
|---|
| Logótipo essencial | 2 propostas, ficheiros vetoriais + web, mini guia de uso | Naming, papelaria, impressão | 2 rondas | 5 dias úteis | 350 € |
| Identidade completa | Logótipo, paleta, tipografia, aplicações-base, brand book de 10 páginas | Copywriting, fotografia, website | 2 rondas | 10 dias úteis | 1.200 € |
Kit Kit de redes sociais | 12 templates editáveis pelo cliente, capas e destaques | Gestão de redes, calendário editorial, texto dos posts | 1 ronda | 5 dias úteis | 280 € |
| Avença de design | Fila de pedidos, até 8 peças/mês, resposta em 48 h úteis | Projetos de identidade, vídeo, impressão | Incluídas na fila | Contínuo | 600 €/mês |
Os preços da coluna direita são exemplos de estrutura e caem dentro dos intervalos publicados na tabela anterior — não são a tua tabela. O que interessa copiar é o formato, por três razões concretas.
O âmbito está fechado. "2 rondas de revisões" mata o projeto infinito. A terceira ronda existe e tem preço na proposta.
O cliente decide sem ti. Preço visível encurta o ciclo de venda e filtra: metade dos orçamentos que hoje escreves são para quem nunca ia comprar.
Consegues comparar-te a ti próprio. Dez projetos à medida não se comparam entre si; dez "identidades essenciais" dizem-te exatamente em que fase perdes margem. A lógica geral — diagnóstico, auditoria, sprint, pack — está no guia de produtizar serviços, que se aplica a qualquer profissão de serviço.
O âmbito é o produto: escreve-o em cláusulas, não em adjetivos
A diferença entre um pacote rentável e um pesadelo de três meses costuma caber em cinco linhas de texto na proposta. Estas cinco:
- O que conta como ronda de revisões. Uma lista de alterações consolidada, enviada de uma vez, num prazo de 5 dias úteis. Comentários que chegam a conta-gotas no WhatsApp durante duas semanas não são uma ronda — são cinco.
- Quem é o decisor. Uma pessoa aprova. Se a proposta tem de passar por sócio, cunhado e sobrinha que "percebe de design", isso escreve-se no âmbito e paga-se.
- O que fica de fora, pelo nome. Copywriting, licenças de tipografia, banco de imagens, adaptações para impressão, ficheiros editáveis nativos. Cada exclusão escrita hoje é uma discussão que não tens daqui a três semanas.
- Os extras com preço. Ronda adicional: 90 €. Proposta extra: 150 €. Entrega urgente: +40%. Ter preço transforma um pedido incómodo numa venda.
- O que acontece se o projeto ficar parado. Trinta dias sem feedback do cliente fecham o projeto e o saldo vence-se. Sem esta cláusula, ficas com 50% recebidos e um trabalho eterno na cabeça.
O briefing também é âmbito. Substitui a reunião de "vamos conhecer-nos" por um formulário obrigatório — objetivos, referências, público, prazo, orçamento — e só depois marca a chamada. Quem não preenche dez minutos de formulário não ia aprovar uma identidade de 1.200 €.
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O portefólio que fecha clientes não é o que ganha likes
A montra de imagens bonitas serve para te compararem esteticamente. O que fecha vendas é um portefólio construído como prova, e a estrutura é sempre a mesma em cada caso: qual era o problema do cliente, o que decidiste e porquê, o que mudou depois. Três parágrafos e quatro imagens chegam.
Regras práticas que valem mais do que mais projetos:
- Seis casos, não vinte. Vinte trabalhos dizem que aceitas tudo. Seis do mesmo tipo dizem que és a pessoa certa para esse tipo. Se queres identidades de restaurantes, mostra restaurantes.
- Mostra o intervalo de investimento. "Projetos de identidade a partir de 1.200 €" no fim de cada caso poupa-te uma dezena de chamadas por mês.
- Põe o portefólio e a compra no mesmo sítio. Um PDF por email obriga o cliente a responder para avançar. Uma página com os casos, os pacotes e um botão deixa-o comprar às 23h de domingo — é a lógica da página para designers da Shelf: casos, pacotes, formulário de briefing e checkout na mesma morada.
- O Behance é distribuição, não casa. Serve para te encontrarem; a página onde se compra tem de ser tua. As ferramentas de produção e de montra estão comparadas no guia de ferramentas para designers, incluindo o Figma (Starter gratuito, Professional a 16 dólares por lugar/mês) e a Affinity, que passou a ser gratuita para uso individual.
Como cobrar: sinal à cabeça, saldo na entrega
Regra que não se negoceia: nenhum píxel entra em produção antes do sinal. O modelo standard é 50% na adjudicação e 50% na entrega dos ficheiros finais, escrito na proposta como parte do processo. Quem discute um sinal razoável está a mostrar-te como se vai comportar na fatura final.
Na prática portuguesa, isto resolve-se com um link de pagamento e não com "envio-te o IBAN": o cliente recebe o link, paga por MB WAY ou cartão em dois minutos e tens confirmação imediata em vez de andares a atualizar o homebanking. Três detalhes técnicos que valem dinheiro:
- Taxa. O Stripe cobra em Portugal 1,5% + 0,25 € em cartões do Espaço Económico Europeu e em MB WAY. Cartões de fora da UE sobem para 2,5%–3,15% + 0,25 €.
- Limites do MB WAY. A documentação do Stripe indica transações entre 0,50 € e 5.000 €, com um limite diário acumulado por defeito de 1.000 € por utilizador, ajustável até 10.000 € na app. Um projeto de 1.200 € pago de uma só vez pode bater nesse limite; dividido em sinal e saldo, não bate.
- Avenças. A mesma página diz "Recurring payments: No" para o MB WAY: as subscrições só funcionam por fatura enviada e paga à mão. Uma avença que se cobra sozinha exige cartão. O comparativo completo está no guia de Stripe com MB WAY em Portugal.
Para as chamadas de diagnóstico, cobrar 40–60 € que descontas no projeto elimina os curiosos e é trivial de montar com
marcações com pagamento antecipado. Na
Shelf, publicas os pacotes como produtos com preço e botão, recolhes o briefing por formulário, geras links de pagamento para os sinais e marcas as chamadas — por 29 €/mês ou 99 €/ano, com
0% de comissão sobre as vendas; só pagas a taxa Stripe. O trial é de 14 dias e pedimos cartão no registo.
Para seres claro no teu stack: a Shelf não é CRM nem software de faturação. Os recibos e a parte fiscal continuam do teu lado, com o teu contabilista.
Cenário 1 — o logótipo que melhora e o preço que não desce. À hora, a 25 €/h, o primeiro logótipo demora 12 horas e rende 300 €; ao quinto, feito em 6 horas, rende 150 €. Em pacote fixo de 350 €, o primeiro paga-te 29,2 €/hora efetivos e o quinto paga 58,3 €/hora. Cobrado em duas metades de 175 €, cada uma leva 2,88 € de taxa (175 × 1,5% + 0,25 €), num total de 5,75 € — 1,64% do projeto.
Cenário 2 — identidade de 1.200 € e o limite do MB WAY. Sinal de 600 € na adjudicação e 600 € na entrega: cada pagamento cabe folgadamente no limite diário por defeito de 1.000 €. A taxa é de 9,25 € por metade, 18,50 € no total, 1,54% do projeto. Cobrar os 1.200 € de uma vez custaria 18,25 € em taxa, poupa 25 cêntimos e obriga o cliente a mexer nos limites da app — não vale a troca.
Cenário 3 — avença de 600 €/mês durante um ano. São 7.200 € faturados. Por cartão, com cobrança automática, pagas 9,25 € de taxa por mês, 111 € no ano, mais 99 € do plano anual da Shelf: 210 € de custo total, ou 2,92% do que faturaste, com 0% de comissão sobre as vendas. A mesma avença numa plataforma que cobrasse 10% de comissão levaria 720 €.
Do serviço ao produto: vender o que já desenhaste
Cada projeto deixa subprodutos vendáveis. Os 12 templates que fizeste para um restaurante são, com generalização mínima, um produto para centenas de restaurantes. Vendidos a 19 €, o Stripe leva 0,535 € por venda; trinta vendas dão 570 € brutos e 553,95 € líquidos, sem uma reunião pelo meio.
Se entregas em Canva, o processo completo de empacotar e vender está em vender templates Canva; se trabalhas em sistemas e documentação, o mesmo raciocínio aplica-se a vender templates Notion. Não é substituto dos serviços: é o amortecedor dos meses fracos e a prova de trabalho que vende os pacotes grandes.
Quando os pacotes são má ideia
Há três situações em que fechar o âmbito te prejudica.
Projetos de descoberta genuína. Quando ninguém sabe o que se vai desenhar — reposicionamento de marca, produto que ainda não existe — vende primeiro um diagnóstico pago com entregável próprio e só depois um pacote de execução.
Trabalho de manutenção imprevisível. Correções, adaptações e pedidos avulsos de clientes antigos vivem melhor num pack de horas pré-pago (por exemplo, 10 horas a usar em seis meses) do que num pacote de âmbito fixo.
Clientes com processo pesado. Empresas com comités de aprovação e três níveis de validação consomem rondas que nenhum pacote de preço médio suporta. Aí o preço fixo tem de subir 30–50% ou o âmbito passa a contar reuniões.
Veredicto por perfil
A começar, portefólio curto. Um único pacote de entrada, preço perto do piso do intervalo da Zaask, âmbito rigidamente fechado e sinal de 50% desde o primeiro cliente. O objetivo é acumular casos e testemunhos, não margem. O hábito de pedir sinal cria-se no início ou nunca.
Freelancer estabelecido com agenda cheia de trabalho à medida. Produtiza os dois serviços que mais repetes, publica os preços, encaminha os pedidos atípicos para orçamento com prémio de 30–50% e sobe os preços da tabela a cada dez projetos entregues.
A querer rendimento menos dependente de clientes. Duas ou três avenças por cartão para receita previsível, mais templates como produto digital para o resto. É a combinação com melhor rácio de rendimento por reunião que este nicho permite.
O primeiro passo é sempre o mesmo, e não é estético: uma página onde os teus pacotes têm nome, âmbito, preço e botão de compra. O enquadramento mais amplo — canais, oferta e cobrança — está no guia de como vender serviços online. Cria a tua página na Shelf: 14 dias de trial, links de pagamento com MB WAY, formulários de briefing e 0% de comissão sobre o que faturares.