
A resposta curta: para a maioria dos criadores portugueses, a escolha segura é a MailerLite (desde €11/mês, dados na UE, 0% de comissão quando monetizas). Para começar sem gastar, o Kit dá 10.000 subscritores grátis e o beehiiv 2.500 com envios ilimitados; para trabalhar em português de Portugal, a E-goi é a única pensada de raiz cá. Abaixo comparo as dez, com todos os preços confirmados nas páginas oficiais à data de agosto de 2026.
As 10 ferramentas comparadas (e como as avaliei)
Os critérios, por ordem do que realmente importa para quem envia a partir de Portugal:
- Preço real, free tier e quanto custa quando a lista cresce;
- RGPD e localização dos dados — enviar emails na UE com dados nos EUA é um risco que convém conhecer;
- Interface em português — spoiler: só uma é em PT-PT;
- Monetização nativa, se dá para cobrar subscrições ou vender à lista sem sair da ferramenta.
Várias cobram em USD. Preços mudam; a coluna Fonte liga à página oficial de cada uma.
| Ferramenta | Free tier | Pago desde | Interface PT | Dados UE | Monetização nativa | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 250 subs / 2.500 emails/mês | €11/mês (Comfort) | Não (EN/ES/PL) | Sim (DE + NL) | Sim, 0% comissão | mailerlite.com | |
| 300 emails/dia | €7/mês (Starter) | Sim (PT-BR) | Sim (UE) | Não | brevo.com | |
| E-goi | 5.001 contactos / 15.000 envios/mês | 8,92 €/mês (Base) | Sim (PT-PT) | Não confirmado | Não | e-goi.com |
| 2.500 subs, envios ilimitados | $43/mês (anual; $49 mensal) | Não | Não confirmado | Sim, 0% (só Scale+) | beehiiv.com | |
| Tudo grátis | 10% da receita | Não | Não confirmado | Sim, 10% + Stripe | substack.com | |
| 10.000 subs | $33/mês | Não | Não confirmado | Sim, 3,5% + $0,30 | kit.com | |
| 250 contactos / 500 envios/mês | Confirma no site | Sim (PT-BR) | Não (EUA) | Não | mailchimp.com | |
| EmailOctopus | 2.500 subs / 10.000 emails/mês | $9/mês (anual) | Não | Sim (Irlanda) | Não | emailoctopus.com |
| ActiveCampaign | Não tem (trial 14 dias) | Confirma no site | Sim (PT-BR) | Não confirmado | Não | activecampaign.com |
| Flodesk | Free sem envio de emails | $25/mês (Lite) | Não | Não confirmado | Checkout (Pro/Everything) | flodesk.com |
1. MailerLite: o melhor equilíbrio para a maioria
Se só pudesse recomendar uma, era esta. Empresa europeia (a entidade que contrata com clientes do EEE está registada em Dublin), com dados alojados em centros certificados na Alemanha e nos Países Baixos e certificação ISO 27001, segundo a trust page oficial — o argumento RGPD mais sólido da lista. Os planos pagos começam no Comfort a €11/mês (€9,90 com faturação anual) e o Power a €19/mês, e trazem a cereja: newsletters pagas e venda de produtos digitais via Stripe sem comissão da MailerLite, só as taxas Stripe.
Contras reais: interface só em inglês, espanhol e polaco, e o free tier de 250 subscritores bloqueia os envios assim que passas o limite. Análise completa na review da MailerLite em português.
2. Brevo: o pago mais barato, em português
Modelo de preços diferente: paga-se pelo volume de envio, não pelo número de contactos. O free dá 300 emails/dia com contactos ilimitados e o Starter começa em €7/mês (a partir de 5.000 emails/mês) — o plano pago mais barato da lista. Site e blog em português (variante brasileira) e, em página oficial de segurança, a garantia de que os servidores estão na UE, com ISO 27001.
O trade-off: não monetiza nada — é ferramenta de envio e automação, ponto. E para listas pequenas que enviam muito, o modelo por volume pode sair mais caro do que parece.
3. E-goi: a portuguesa que os comparativos internacionais ignoram
"Orgulhosamente nascida e criada em Matosinhos", como a própria escreve, e com raízes que recuam a 1999 — a única desta lista feita de raiz em português de Portugal, do site ao produto. O plano gratuito é invulgarmente generoso: 5.001 contactos e 15.000 envios/mês. Os pagos começam no Base a 8,92 €/mês (500 contactos) e no Pro a 33,79 €/mês (2.500 contactos), com SMS e outros canais no mesmo sítio — coisa que quase nenhuma concorrente tem.
Porque não é a primeira da lista? A interface mostra a idade em alguns cantos, a monetização nativa não existe e, curiosamente, não encontrei nas páginas oficiais uma confirmação clara da localização dos dados — pergunta ao suporte antes de migrar uma lista grande.
4. beehiiv: para tratar a newsletter como um negócio
O plano grátis certo para newsletters: 2.500 subscritores com envios ilimitados. E o arsenal de monetização mais completo — subscrições pagas com 0% de comissão, rede de anúncios própria e recomendações pagas — mas tudo isso só a partir do plano Scale: $43/mês com faturação anual ($517/ano) ou $49/mês em faturação mensal. O plano grátis não monetiza um cêntimo, e o dashboard é só em inglês (podes é definir português como idioma dos emails de sistema que os subscritores veem).
É a escolha para quem quer construir um media, não para quem quer "enviar uns emails". Dissequei preços e limitações na review do beehiiv em português.
5. Substack: o mais simples, com o imposto mais caro
Publicar é grátis, sem limite de subscritores, e a rede de recomendações traz leitores de borla. Mas o modelo de negócio é uma percentagem: o próprio Substack resume-o como "writers keep 90%" — ou seja, 10% de toda a receita de subscrições, para sempre, além das taxas Stripe. A €1.000/mês de receita, €100 vão para o Substack, todos os meses. É a ferramenta certa para validar uma newsletter; é das piores para escalar receita. Como funciona em concreto para um autor cá (Stripe, payouts, IVA, app iOS), está no guia do Substack em Portugal.
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Começar grátis →6. Kit (ex-ConvertKit): o free tier gigante
Até 10.000 subscritores grátis, de longe o teto gratuito mais alto da categoria — e o plano grátis já vende produtos digitais e subscrições. A fatura chega na monetização (3,5% + $0,30 por transação, em todos os planos) e nos pagos (Creator desde $33/mês com 1.000 subscritores). Faz as contas: numa subscrição de $5, os 3,5% + $0,30 são $0,475 — 9,5%, praticamente o imposto do Substack. Para construir a lista cedo e sem pagar, é imbatível; para cobrar subscrições baratas, nem tanto.
7. Mailchimp: o nome famoso que já não recomendo primeiro
O Mailchimp de 2026 dá 250 contactos e 500 envios/mês no free (com limite diário de 250) — dos mais magros da lista. Os preços pagos em euros variam com o escalão e já só os vês se simulares no site, por isso não os chuto aqui: confirma na página oficial. Interface e ajuda em PT-BR; quanto aos dados, a própria documentação diz que a empresa e os servidores estão nos Estados Unidos. Continua a valer pelas integrações — quase tudo no mundo liga ao Mailchimp — mas como primeira escolha em 2026, há melhor por menos.
8. EmailOctopus: o barato-e-bom para enviar
O segredo mal guardado dos frugais: free tier de 2.500 subscritores e 10.000 emails/mês, plano Pro desde $9/mês com faturação anual, e — preto no branco na política de privacidade — as listas de contactos guardadas na AWS da Irlanda, dentro do EEE. Não monetiza, não deslumbra, mas envia bem por uma fração do preço. Para quem só precisa mesmo de enviar, é a conta certa.
9. ActiveCampaign: automação a sério, preço a sério
O único CRM/automação de marketing verdadeiro da lista: fluxos condicionais, scoring, segmentação profunda — se queres perceber o que isso rende, vê o guia de automações de email marketing. Também é o único sem plano grátis: trial de 14 dias (a própria página diz que não pede cartão) e quatro planos faturados anualmente, com limites de envio de 10× a 15× os contactos. Os preços não são públicos sem simulares — confirma no site oficial. Tem site e ajuda em português (BR). Para um criador a solo é overkill; para um negócio com funil de vendas complexo, é o upgrade natural.
10. Flodesk: o design, com uma rasteira no "free"
Os templates continuam dos mais bonitos do mercado, mas atenção à letra pequena: o plano Free não envia emails — serve para formulários, landing pages e link-in-bio. Para enviar, precisas do Lite ($25/mês, ou $19 com faturação anual, no exemplo de 1.000 subscritores da própria página). Vender é outro degrau: o Pro ($28/mês, $25 anual) inclui 1 checkout integrado e só o Everything ($54/mês, $49 anual) traz checkouts ilimitados, sales pages e subscrições. E o preço fixo ilimitado que a tornou famosa acabou para novos membros a 2 de dezembro de 2025 (quem já o tinha mantém-no): hoje escala por subscritores, como toda a gente.
Na prática em Portugal: três contas reais
Newsletter paga, 100 assinantes a €5/mês (€500). No Substack: €50 de comissão (10%) + ~€32,50 de Stripe (cartão europeu standard numa conta portuguesa: 1,5% + €0,25, tabela oficial) + 0,7% de Billing ≈ €86 → ficas com ~€414. Na MailerLite Comfort (escalão de 1.000 subscritores, €17/mês): €17 fixos + as mesmas taxas Stripe → ~€450. A diferença — cerca de €35/mês — só cresce com a receita, porque a comissão do Substack é percentual e a mensalidade da MailerLite é fixa.
Lista de 5.000 subscritores, ainda sem receita. Kit: €0 (o free vai até 10.000). E-goi: €0 se enviares até 15.000 emails/mês (dá para ~3 envios à lista toda). MailerLite Comfort: €44/mês neste escalão. beehiiv: já não cabes no Launch (teto de 2.500), portanto pagas. Moral: enquanto não monetizas, o free tier certo vale centenas de euros por ano.
Vender um ebook à lista. Aqui a ferramenta de email é o canal, não a caixa registadora. 40 vendas de um ebook a €15 = €600; no Kit pagarias €21 + 40×$0,30 de comissão da plataforma, na MailerLite €0 (só Stripe). E em qualquer uma delas o comprador português não pode pagar com MB WAY — o que nos leva ao ponto seguinte.
O elefante na sala: nenhuma aceita MB WAY
Um facto que nenhum comparativo internacional te diz: nenhuma destas dez ferramentas suporta MB WAY. Toda a monetização — subscrições no Substack, produtos no Kit, checkout na Flodesk — passa por Stripe e cartão. Para uma audiência portuguesa, isso custa conversões no checkout.
Por isso a combinação que mais vejo funcionar em criadores portugueses é honesta e simples: uma ferramenta desta lista para enviar + uma loja portuguesa para cobrar. A Shelf faz a segunda parte — ebooks, cursos, sessões e comunidades vendidos com MB WAY e cartão, 0% de comissão da plataforma em produtos digitais, €29/mês (ou €99/ano), com 14 dias de teste. Que fique claro: a Shelf não é uma ferramenta de email marketing e não envia newsletters; entra quando queres transformar a lista em receita com checkout português. Se o objetivo é mesmo cobrar pela newsletter em si, compara primeiro os modelos em como monetizar uma newsletter.
E antes de ligar tudo, garante o básico legal, seja qual for a ferramenta: consentimento explícito (idealmente double opt-in), link de remoção em cada email e dados na UE sempre que possível — os detalhes, coimas incluídas, estão no guia de RGPD no email marketing.
Veredicto por perfil: escolhe em 30 segundos
- Vais lançar uma newsletter e queres crescer: beehiiv (grátis até 2.500 subs) e migra para o Scale quando monetizares. Alternativa sem fricção: Substack, sabendo dos 10%.
- Queres automações, RGPD limpo e preço justo: MailerLite. A escolha "não me quero arrepender".
- Queres tudo em português de Portugal: E-goi — e o free de 5.001 contactos é dos melhores.
- Lista grande, orçamento zero: Kit até 10.000 subscritores grátis.
- Só queres enviar barato com dados na UE: EmailOctopus, ou Brevo desde €7/mês.
- Tens um funil de vendas complexo e equipa: ActiveCampaign.
Mudar de ferramenta custa menos do que pensas
Um medo comum que trava escolhas durante semanas: "e se escolher mal?". A resposta: todas exportam a lista de subscritores em CSV, e importar noutra plataforma demora minutos — tal como o formulário de captura que tens na página de link-in-bio ou no lead magnet se troca numa tarde. O que não migra são as automações (reconstróis em poucas horas), as estatísticas históricas e, o único ponto verdadeiramente delicado, as subscrições pagas ativas, que obrigam os assinantes a reintroduzir os dados de pagamento. Tradução prática: escolhe depressa para enviar, mas pensa duas vezes antes de fechar conteúdo pago numa plataforma de que não tens a certeza.
Próximo passo
Escolhe pela fase, não pela moda: valida no grátis (beehiiv, Kit, E-goi ou EmailOctopus), profissionaliza na MailerLite ou Brevo quando a lista pagar o custo, e monetiza onde a comissão não te coma a margem. Para veres estas plataformas em uso por autores reais, espreita as melhores newsletters portuguesas — quase todas as independentes correm no Substack, o que diz muito sobre onde está a fricção mais baixa para começar. A ferramenta perfeita é a que ainda usas daqui a seis meses.
