
Para receber pagamentos online em Portugal tens três caminhos: um link de pagamento (vendas pontuais, sem site), um gateway integrado numa loja própria (volume, taxas mínimas) ou uma plataforma de venda completa (produtos digitais e serviços, tudo incluído). Em qualquer um deles a regra é a mesma: MB WAY e cartão no checkout, taxas confirmadas no preçário oficial e liquidação numa conta em teu nome. O resto deste guia é a escolha entre os três, com números de agosto de 2026.
A resposta curta: depende do que vendes
| A tua situação | A melhor forma | Porquê |
|---|---|---|
| Vendas pontuais (serviço avulso, encomenda única, sinal) | Link de pagamento | Zero montagem: crias, envias, recebes |
| Loja online própria (WooCommerce, Shopify, site à medida) | Gateway de pagamento integrado | Taxa por transação mais baixa, controlo total |
| Produtos digitais, cursos, sessões, comunidades | Plataforma de venda completa | Checkout + MB WAY + entrega automática, sem código |
O que os portugueses usam para pagar online
Antes de escolheres fornecedor, olha para o lado de lá do checkout. Segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos 2025 do Banco de Portugal, houve 4,4 mil milhões de operações com cartão no ano, com as compras online a crescerem 19,3% em quantidade e a valerem já 19,1% de todas as operações com cartão. E o MB WAY, segundo a SIBS, passou os 6,5 milhões de utilizadores num país com cerca de 10 milhões de habitantes.
Traduzido para o teu checkout, os métodos que interessam são:
- MB WAY. O comprador mete o número de telemóvel, aprova na app com PIN ou biometria, e tu recebes confirmação imediata. Se só ofereces um método, é este. Tem limites: entre 0,50 € e 5 000 € por transação, e o utilizador tem um teto diário de 1 000 € por defeito (ajustável até 10 000 € na app), segundo a documentação MB WAY da Stripe.
- Cartão Visa/Mastercard. Universal, essencial para quem não usa MB WAY, para empresas e para compradores estrangeiros. Apple Pay e Google Pay vêm normalmente incluídos.
- Referência Multibanco. Ainda usada por um público mais tradicional, mas o pagamento não é imediato: o cliente pode "pagar depois" e nunca pagar. Serve como terceira opção, não como principal.
- PayPal. Não tem MB WAY nem Multibanco. Vale como método extra para vendas internacionais; como método único para vender a portugueses é uma má escolha, como explico no artigo sobre vender com PayPal em Portugal.
Forma 1: link de pagamento, para vendas pontuais
Um link de pagamento é a via mais rápida: geras um link com o valor, envias por WhatsApp, email ou Instagram, e o cliente paga com MB WAY ou cartão numa página segura do fornecedor. Não precisas de site, nem de loja, nem de programador, e na Stripe (Payment Links) e na Shelf não pagas nada além da taxa da transação; a REDUNIQ também tem Pay by Link, mas confirma as condições no site oficial.
Funciona bem para: freelancers a cobrar um serviço, explicadores, quem vende por mensagem direta, sinais de reserva, cobranças a clientes que não querem "criar conta" em lado nenhum.
Onde falha: não escala. Se vendes o mesmo produto muitas vezes, gerar links à mão e enviar o ficheiro ou o acesso manualmente torna-se o teu trabalho a tempo inteiro. E um link não convence ninguém, só cobra: não há página de venda, prova social nem upsell. Se o teu produto precisa de ser explicado antes de ser pago, o link é a última etapa, não a única.
Se o teu caso é mesmo só cobrar por MB WAY sem mais nada, um link de pagamento com MB WAY chega perfeitamente e demora menos de cinco minutos a montar.
Forma 2: gateway integrado, para quem já tem loja
Se tens uma loja online própria, o caminho clássico é contratar um gateway de pagamento e ligá-lo ao checkout via plugin ou API. Em Portugal, os nomes com preçário público são Ifthenpay, Eupago, Easypay, Stripe e Mollie; Viva.com, REDUNIQ e SIBS Gateway trabalham sobretudo por proposta comercial.
A vantagem é o custo por transação. Os processadores portugueses têm o MB WAY mais barato do mercado: Ifthenpay e Eupago cobram 0,07 € + 0,7% por transação MB WAY (acresce IVA), contra 1,5% + 0,25 € na Stripe. Numa venda de 50 €, é a diferença entre cerca de 0,42 € e 1,00 €. Ambos anunciam zero mensalidade e a Ifthenpay anuncia pagamentos diários dos valores recebidos.
A desvantagem é tudo o resto ser contigo. O gateway processa o pagamento, ponto final. A loja, o checkout, a entrega do produto, os emails de confirmação, os cupões, o alojamento: ou a tua plataforma de e-commerce trata disso, ou tratas tu (ou pagas a quem trate). Para uma loja de produtos físicos em WooCommerce ou Shopify, é o modelo certo. Para um criador que quer vender um ebook esta semana, é matar uma mosca com um canhão.
Se estás nesta via, o comparativo de taxas de gateways tem os números método a método, incluindo Multibanco e os fornecedores "sob proposta". Faz as contas ao teu ticket médio antes de assinar.
💳 Recebe por MB WAY sem montar um gateway
Página de venda com checkout pronto: pagas só a taxa Stripe, 0% comissão Shelf.
Criar link de pagamento →Forma 3: plataforma de venda completa, para produtos digitais e serviços
Se o que vendes é digital (ebooks, cursos, templates, sessões de consultoria, comunidades pagas), o pagamento é só um pedaço do problema. Também precisas de página de venda, checkout que converta em telemóvel, entrega automática do ficheiro ou do acesso, e recibo no email do cliente. Montar isso com um gateway avulso significa integrar quatro ferramentas e mantê-las a falar entre si.
É aqui que entram as plataformas de venda. A Shelf é a opção portuguesa: página de loja e link-in-bio, checkout com MB WAY e cartão nativos (assenta na Stripe, mas a integração é tratada pela plataforma, não geres o gateway sozinho), entrega automática de produtos digitais, cursos com vídeo, PDF e quizzes, marcações com pagamento antecipado, links de pagamento, cupões e order bumps. Custa 29 €/mês ou 99 €/ano com 0% de comissão da plataforma: pagas a mensalidade e a taxa Stripe de cada transação, e mais nada. Há 14 dias grátis; pedimos cartão no registo.
O trade-off honesto: numa plataforma pagas mensalidade e a taxa do processador é a da Stripe, não a de um processador português a 0,7%. Em contrapartida, poupas a mensalidade e a manutenção da loja, do checkout e da entrega, que num WooCommerce a sério raramente sai grátis, e o payout é direto para a tua conta via Stripe, sem mínimo de levantamento. Abaixo de algumas dezenas de vendas por mês a conta favorece a plataforma; com milhares de transações mensais e alguém técnico na equipa, um gateway barato integrado à mão ganha.
Como funciona por baixo, e porque é que a Stripe passou a ser a forma mais simples de ter MB WAY sem contrato com um processador português, está explicado em Stripe e MB WAY em Portugal.
Quanto custa: taxas de agosto de 2026
Comparação de taxas por transação, tal como aparecem nas páginas oficiais à data de 18 de agosto de 2026. Aos preçários dos fornecedores portugueses acresce IVA à taxa legal.
| Fornecedor | MB WAY | Cartão (consumidor EEE) | Mensalidade | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| 0,07 € + 0,7% | 0,20 € + 1,5% | 0 € | preçário | |
| 0,07 € + 0,7% | 0,20 € + 1,5% | 0 € | preçário | |
| 0,25 € + 1,50% | 0,25 € + 1,50% | 0 € | easypay.pt/precos | |
| 1,5% + 0,25 € | 1,5% + 0,25 € | 0 € | pricing | |
| 1,50% + 0,25 € | 1,20% + 0,25 € (cartão PT) / 1,80% + 0,25 € (EEE) | 0 € | mollie.com/pt/pricing | |
| não tem | 2,90% + 0,35 € | 0 € | taxas |
