Monetização

Como criar um media kit que converte (com template)

Gonçalo CanhotoGonçalo Canhoto
12 min
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Como criar um media kit que converte (com template)

Um media kit tem cinco blocos e nada mais: quem és e em que nicho, os números reais da tua audiência, os formatos que produzes com preços de partida, dois ou três casos com resultados verificáveis, e um contacto com passo seguinte óbvio. Monta-se numa tarde, vive numa página web ou num PDF de 3 a 5 páginas, e existe para responder a uma única pergunta da marca: vale a pena contratar-te?

Marcas comparadas neste artigo

O erro que custa dinheiro é tratá-lo como currículo. Um currículo conta a tua história por ordem cronológica; um media kit vende uma transação concreta a alguém que abriu 40 emails naquela manhã. Tudo o que não empurra para essa decisão é peso morto.

Media kit ou portfólio: qual é que a marca te pede

Esta é a distinção que quase nenhum guia português faz, e é a que decide o que deves construir primeiro.

DocumentoO que provaQuem o pedeFormato típico
PortfólioQue sabes produzir: vídeos, formatos, qualidade técnicaMarcas que compram conteúdo para os anúncios delasPágina com 6–12 vídeos embebidos
Media kitQue tens audiência e vale a pena alcançá-laMarcas que compram publicações no teu perfilPágina ou PDF de 3–5 páginas com números
O critério de decisão é simples: a marca compra a tua produção ou a tua audiência? Se compra produção, o teu documento é o portfólio — a Insense, marketplace que liga criadores a marcas, publica como requisito de candidatura pelo menos 6 a 12 vídeos, 2 categorias de produto e 2 formatos diferentes, com exemplos de fala à câmara e de voz-off. É esse nível de prova que interessa, não os teus seguidores. O guia de como criar um portfólio UGC trata dessa peça em detalhe.

Se a marca compra audiência — um Reel no teu perfil, uma story, uma menção — aí precisa de números, e é para isso que serve o media kit. Na prática, muitos criadores portugueses vendem as duas coisas e mantêm os dois blocos no mesmo link: portfólio em cima, números e rate card em baixo. Se ainda estás a decidir por onde entrar no mercado, o guia de como ser UGC creator em Portugal dá o enquadramento completo.

As 5 secções obrigatórias (e o erro típico de cada uma)

#SecçãoO que incluirErro comum
1Bio e nichoNome, 2 nichos no máximo, uma frase de posicionamento, fotoTrês parágrafos sobre a tua paixão por criar
2AudiênciaAlcance por publicação, demografia, período e data dos númerosNúmeros redondos sem fonte nem data
3Formatos e rate cardO que produzes e a partir de quanto"Preços sob consulta" em tudo
4Casos e resultados2–3 trabalhos com contexto e resultado verificávelMétricas inventadas ou logos de marcas que nunca te pagaram
5Contacto e CTAEmail, um botão, um passo seguinteTerminar sem dizer o que a marca deve fazer

1. Bio e nicho: posicionamento em duas linhas

"Criadora de conteúdo de lifestyle" não diz nada a ninguém. "Vídeos de skincare e maquilhagem para marcas que anunciam no TikTok — PT e EN" diz nicho, formato e mercado numa linha. Se trabalhas cinco temas, escolhe os dois em que tens mais material: um media kit generalista compete com toda a gente, um media kit de nicho compete com três pessoas.

2. Audiência: números reais, com data

Os números vão buscar-se às analíticas nativas das plataformas onde publicas — Instagram Insights e TikTok Analytics — e não a estimadores externos ou calculadoras de engagement. As marcas com equipa de marketing a sério pedem prints do painel, por isso o valor que escreves tem de bater certo com o que a app mostra.

Três regras que evitam problemas:

  • Indica sempre o período e a data. "Alcance médio por publicação: 4.200 (últimos 30 dias, agosto de 2026)" é uma afirmação verificável. "4 mil de alcance" é ruído.
  • Não inventes benchmarks. Não escrevas que a tua taxa de envolvimento "está acima da média do setor" a menos que tenhas uma fonte que definiu essa média para o teu nicho e país. Não tens? Apresenta o teu número e cala-te — a marca sabe comparar.
  • Omite o que é fraco, não o disfarces. Se o número de seguidores não te ajuda, lidera com alcance por publicação e demografia. Se a demografia não bate com o público da marca, dá-lhe outra coisa: guardados, partilhas, respostas em DM. O que não podes é arredondar para cima. Num mercado do tamanho do português, uma marca apanhada uma vez conta às outras.
Se a tua monetização passa pelo Instagram, os valores que se praticam por faixa de audiência estão no guia de quanto paga o Instagram em Portugal.

3. Formatos e rate card: preços de partida, extras em aberto

O rate card do media kit é um resumo, não a tua tabela interna de preços. Lista os formatos que produzes com um valor "a partir de" cada um e deixa explícito o que é orçamentado à parte. A tabela completa para o mercado português — o que se cobra por vídeo, por faixa de experiência, por tipo de cliente — vive no guia de quanto cobrar por UGC em 2026, e é de lá que deves tirar os teus valores em vez de copiar guias americanos.

Os três extras que nunca devem estar no preço base:

  • Direitos de utilização em anúncios. A Influee — que é um marketplace de UGC, ou seja, parte interessada e não fonte neutra — escreve no seu guia de preços que, para direitos de utilização, whitelisting ou entrega urgente, há que "plan to add 30–50% more to your base rate". Toma-o como referência de mercado, não como tabela oficial. Vender um vídeo com direitos de anúncio ao preço de um post orgânico é, ainda assim, o erro que mais dinheiro tira a criadores em início de carreira.
  • Variações de hook e CTA. A mesma página lista "Hook / CTA Variations – $50 each" como linha própria de orçamento. São cinco minutos de gravação extra que valem uma linha de fatura.
  • Urgência. Quando a marca quer o vídeo "para ontem", a secção de rush fees dessa mesma página aponta 25–50% acima do valor base. O prazo a partir do qual cobras defines tu — o que não podes é não o escrever no media kit.
Contexto útil para não te subvalorizares: o que uma marca paga a uma agência pelo mesmo vídeo não é o que o criador recebe. A Twirl, agência UGC britânica, cobra à marca a partir de £240/$325 por vídeo no plano self-serve, com um mínimo de 4 créditos na primeira compra — £240–350 consoante o volume — mais £60/$80 por cada variação extra de hook ou CTA. É o preço que a marca paga à plataforma, não o teu preço; serve só para saberes a que ordem de grandeza o orçamento dela está habituado.

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4. Casos e resultados: dois bons chegam

Dois ou três casos, cada um com produto, peça e uma linha de contexto. O que torna um caso credível não é a métrica grande, é a verificabilidade: "3 vídeos para uma marca de suplementos, usados em anúncios TikTok durante 3 meses" é melhor do que "campanha com 2M de visualizações" que não consegues provar.

Se o resultado quantitativo é da marca e não é público, escreve isso: "resultados de campanha partilhados a pedido, com autorização do cliente". É mais forte do que um número solto. E se ainda não tens clientes pagos, identifica as peças como trabalho de demonstração — as marcas avaliam a execução, não a fatura, desde que não finjas o contrário.

5. Contacto e CTA: um só pedido

Email visível, sem formulário de sete campos, e um passo seguinte. "Responde a este email com o produto e a data" ou "reserva 15 minutos aqui" ou "compra o pack de 3 vídeos neste link". Dois CTAs concorrentes na mesma página valem menos do que um.

Onde montar o media kit: Canva, Notion ou página própria

FerramentaPreço (verificado 08/2026)Melhor paraLimite realFonte
Canva CanvaGrátis; Pro 180 US$/anoPrimeiro media kit em PDF, com template prontoDesatualiza-se: cada mudança obriga a reexportar e reenviarcanva.com/pt_pt/precos (ver nota)
Notion NotionFree €0; Plus €9,50/membro/mêsVersão em link, sempre atualizadaEstética de documento; sem pagamentosnotion.com/pricing
Shelf€29/mês ou €99/anoMedia kit, packs com preço e checkout no mesmo linkPago; sem CRM nem email marketing nativo/precos
Nota de método sobre o Canva: a página oficial de preços responde 403 a leitores automáticos, por isso os valores acima foram lidos a 19 de agosto de 2026 através de um proxy de leitura, que devolve a página portuguesa com os preços em dólares (Grátis 0 US$/ano; Pro 180 US$/ano). Confirma o valor em euros no site oficial antes de decidires — para um primeiro media kit, o plano grátis chega e sobra, com os mais de 1,6 milhão de modelos que a mesma página lista como incluídos.

A leitura honesta por fase:

  • Primeira versão: Canva. Template pronto, exportas PDF, envias. É o caminho mais rápido para algo apresentável e não custa nada.
  • Quando atualizas números todos os meses: Notion. O plano Free custa €0 e o link fica sempre com a versão mais recente — não mandas PDFs desatualizados a marcas que os vão guardar durante meses. A estrutura de página está pronta a copiar no guia de Notion para criadores.
  • Quando já vendes packs com regularidade: página com checkout. Na Shelf, a mesma página no link da bio mostra os teus exemplos, lista os packs com preço fechado e deixa a marca pagar ali — MB WAY, que tem mais de 6,5 milhões de utilizadores em Portugal, ou cartão — com 0% de comissão da Shelf sobre a venda; pagas só a taxa Stripe de 1,5% + €0,25 em cartões europeus. Transparência obrigatória: a Shelf é a montra e a caixa registadora, não te arranja marcas nem faz o follow-up.
O resto do circuito — edição, gestão de ficheiros, faturação — está no stack de ferramentas para UGC creators.

Na prática em Portugal: 3 cenários com contas feitas

Aritmética nossa, sobre valores verificados nas páginas oficiais citadas acima:

  • Arranque a custo zero. Canva no plano grátis (ou Notion Free, €0) + os números do Insights/Analytics + duas peças de demonstração. Investimento: uma tarde. Chega para o primeiro ciclo de pitches.
  • Vídeo com direitos de anúncio. Base de €100 pelo vídeo em uso orgânico; com direitos de utilização em anúncios, +30 a 50% pela referência da Influee, ou seja €130–€150 pelo mesmo trabalho. Se o media kit não distinguir os dois cenários, a marca assume o mais barato — e tem razão.
  • Pack de 3 vídeos a €270 cobrado no link do media kit. Taxa Stripe: 1,5% × €270 + €0,25 = €4,30. Recebes €265,70 e a comissão da Shelf é €0. Um link de pagamento MB WAY enviado por email fecha a venda sem mais rondas de negociação.

Como enviar (e quando não vale a pena enviar)

O melhor media kit do mundo morre num email genérico. O formato que funciona tem cinco linhas: assunto concreto com o nome da marca e o teu nicho; uma linha sobre porque é esta marca especificamente (mostra que viste os produtos ou os anúncios deles); duas linhas de quem és com a prova em números; e uma proposta fechada com o link. Dez marcas por semana com pesquisa feita rendem mais do que cem envios em massa — que, além de não converterem, queimam o contacto.

Onde encontrar quem compra: o método está no guia de como conseguir marcas UGC em Portugal, e os marketplaces que aceitam criadores portugueses estão comparados em plataformas UGC para portugueses.

E o contra-cenário, que ninguém escreve: não envies media kit a quem não compra audiência. Se a marca quer três vídeos para testar em anúncios, o teu PDF com demografia de seguidores é ruído — manda o portfólio e o preço por vídeo. Enviar o documento errado passa a mensagem de que não percebeste o pedido.

Os erros que matam media kits

  • Números sem data nem período. Um alcance médio "de há oito meses" é pior do que nenhum: sinaliza desleixo e convida a marca a duvidar do resto.
  • PDF de 15 páginas. Três a cinco chegam. Espaço em branco é argumento de venda, não desperdício.
  • Logos de marcas com quem nunca trabalhaste — incluindo produtos que compraste e filmaste por tua conta. Isso são peças de demonstração e devem ser identificadas como tal.
  • "Preços sob consulta" em todas as linhas. Filtra-te a ti, não a quem não tem orçamento.
  • Media kit igual para todos os nichos. Ter duas versões da página com o caso mais relevante em primeiro lugar são 20 minutos de trabalho que multiplicam respostas.
  • Nunca atualizar. Marca um dia por trimestre para renovar os números e trocar o caso mais fraco pelo trabalho mais recente.

Veredicto por perfil

  • Vendes vídeos para anúncios de marcas: portfólio primeiro, media kit depois (ou nunca). Os teus seguidores não são o produto.
  • Vendes publicações no teu perfil: media kit em Canva ou Notion, com alcance e demografia à cabeça e datas em tudo. Se estás a começar do zero como criador, o plano dos primeiros meses está em como ser criador de conteúdo.
  • Vendes as duas coisas com regularidade: uma página só, com portfólio em cima, números ao meio e packs compráveis em baixo. Cada email poupado na negociação é uma venda mais rápida.
Faz a primeira versão esta semana com os números que tens hoje, envia a dez marcas e melhora com o que as respostas — e os silêncios — te ensinarem. Um media kit medíocre enviado vale infinitamente mais do que um excelente por acabar.

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Perguntas frequentes sobre Como criar um media kit que converte (com template)

O que é um media kit de criador de conteúdo?+

É o documento de apresentação que envias a uma marca antes de negociar: quem és e em que nicho trabalhas, os números reais da tua audiência, os formatos que produzes com preços de partida, dois ou três casos com resultados verificáveis e um contacto com passo seguinte claro. Vive numa página web ou num PDF de 3 a 5 páginas.

Qual é a diferença entre media kit e portfólio UGC?+

O portfólio prova produção: 6 a 12 vídeos a reproduzir na página, formatos variados, qualidade técnica. O media kit prova audiência e enquadra o negócio: alcance, demografia, formatos, preços e contacto. Quem vende vídeos a marcas para anúncios precisa sobretudo de portfólio; quem vende posts no perfil próprio precisa de media kit. Muitos criadores acabam por manter os dois no mesmo link.

Onde vou buscar os números para o media kit?+

Às analíticas nativas das plataformas onde publicas — Instagram Insights e TikTok Analytics — e não a estimadores externos, que as marcas descontam. Copia exatamente o que a app mostra, indica o período (por exemplo, últimos 30 dias) e a data em que tiraste o número. Se um valor é fraco, omite a métrica em vez de a inflacionar: a marca verifica.

Devo incluir preços no media kit?+

Sim, preços de partida. Um valor base por formato filtra quem não tem orçamento e poupa duas rondas de email. Deixa em aberto o que depende do brief: direitos de utilização em anúncios, variações de hook e urgência são orçamentados à parte. A Influee, marketplace de UGC, aponta no seu guia de preços 30–50% acima do valor base por direitos, whitelisting ou urgência — e isso não cabe numa tabela fixa.

Que ferramenta devo usar para fazer o media kit?+

Para a primeira versão, o plano grátis do Canva (PDF com template pronto) ou o plano Free do Notion, que custa €0 e dá uma página partilhável sempre atualizada. Quando passares a vender packs com regularidade, compensa uma página com checkout, para a marca ver a proposta e pagar no mesmo link em vez de trocar mais seis emails.

Preciso de muitos seguidores para ter media kit?+

Não, mas precisas de escolher o que mostras. Sem audiência relevante, o documento certo é o portfólio de trabalho, com formatos e prazos em vez de seguidores. Com audiência pequena e nicho definido, o media kit funciona se liderar com alcance por publicação e demografia em vez do número de seguidores total.

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Gonçalo Canhoto

Sobre o Autor

Gonçalo Canhoto

Fundador da Shelf · Empreendedor Digital

Empreendedor português com mais de 8 anos de experiência em marketing digital e e-commerce. Criou a Shelf.pt para resolver um problema que viveu na pele: a falta de ferramentas locais para criadores portugueses venderem produtos digitais com métodos de pagamento como MBWay e cartão.

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