
Não existe uma lista pública e fiável de marcas portuguesas a contratar UGC creators — as que circulam no TikTok desatualizam em semanas. O que se consegue verificar é o tamanho do mercado: a Influee anuncia mais de 1.500 marcas em Portugal a comprar vídeos UGC só na plataforma dela. A forma fiável de chegar às restantes não é uma lista: é um método de prospeção com 5 canais, um pitch que recebe resposta e um acordo escrito antes de gravar. É isso que este guia dá, passo a passo.
A "lista de marcas" não existe — o mercado sim
Vamos ser honestos, porque quase toda a gente que escreve sobre isto não é: as listas de "20 marcas que aceitam UGC em Portugal!" que vês em vídeos do TikTok são partilhas da comunidade. Úteis como pistas, mas ninguém as verifica e morrem no mês seguinte. E os estudos de mercado sobre influencer marketing em Portugal que circulam em artigos não estão publicados em nenhuma página aberta que possas confirmar — por isso não os vais encontrar aqui.
O que está verificável, à data de agosto de 2026, na página portuguesa da Influee:
- mais de 1.500 marcas em Portugal a comprar UGC na plataforma;
- 10.000+ criadores portugueses anunciados na mesma página;
- vídeos UGC vendidos às marcas a partir de 67 €.
Se ainda estás a montar as bases (o que é UGC, equipamento, primeiros vídeos), começa pelo guia de como ser UGC creator e volta cá.
Os 5 canais para encontrar marcas, comparados
| Canal | Esforço | Potencial de preço | Melhor para |
|---|---|---|---|
| 1. Marketplaces (Influee, Collabstr) | Baixo | Baixo (média de $67 por vídeo em Portugal) | Primeiros projetos, ganhar reviews |
| 2. Bibliotecas de anúncios (Meta, TikTok) | Médio | Alto | Encontrar quem já paga por criativos |
| 3. Comunidade #ugcportugal | Baixo | Variável | Pistas, PR de principiante, networking |
| 4. Pitch direto (email/DM) | Alto | O mais alto | Projetos de €150+ e recorrência |
| 5. Referências de clientes | Baixo (após o 1.º cliente) | Alto | Escalar sem prospetar |
1. Marketplaces: o balcão que existe mesmo
O único sítio onde há marcas literalmente à espera de criadores portugueses são os marketplaces — e para Portugal isso significa sobretudo Influee e Collabstr (a página de preços da Collabstr indica uma comissão de 15% sobre o payout do criador — confirma no site oficial antes de aceitares um projeto). Preços nivelados por baixo, mas briefs reais desde a primeira semana. A análise completa de quem aceita criadores portugueses — e quem não aceita, como a Billo e a JoinBrands — está em plataformas UGC para criadores em Portugal.
Usa-os pelo que são: a forma mais rápida de teres 3 casos reais no portfólio. Não pelo que não são: um plano de carreira.
2. Bibliotecas de anúncios: encontra quem já está a pagar
O filtro mais inteligente que podes aplicar: uma marca que já paga anúncios precisa de criativos em fluxo constante. Não tens de a convencer do valor do UGC — só de que deves ser tu a produzi-lo.
Como fazer, na prática:
- Abre a biblioteca de anúncios do Meta (pública e gratuita — pesquisa "Meta Ad Library") e procura marcas portuguesas do teu nicho. Quem tem dezenas de anúncios ativos investe a sério em criativos.
- Faz o mesmo na biblioteca de anúncios do TikTok e guarda todos os anúncios de marcas PT que te aparecerem no feed durante uma semana. Os que têm estética UGC já compram o formato; os que só têm produção de estúdio são oportunidade de pitch.
- Monta uma lista de 30 marcas: nome, produto, tipo de anúncios que correm, e o que farias diferente.
3. A comunidade #ugcportugal
A comunidade UGC portuguesa no TikTok e Instagram partilha ativamente oportunidades, marcas que enviaram PR e experiências com plataformas — procura #ugcportugal e segue quem está um passo à tua frente. Duas utilidades reais: pistas de marcas abertas a principiantes, e visibilidade — publicar os teus spec ads com a hashtag faz de ti alvo de marcas que andam à procura (sim, também elas pesquisam a hashtag).
Aviso de utilidade: trata tudo o que lá vês como pista a verificar, não como facto. E não caias no ciclo de "criadores a criar conteúdo sobre criar conteúdo" — a hashtag é ferramenta de prospeção, não o teu mercado.
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Criar a minha página →4. Pitch direto: onde estão os projetos bem pagos
É o canal com mais atrito e o que paga melhor, porque não há intermediário nem concorrência lado a lado — a secção seguinte dá o processo completo, do email ao follow-up.
5. Referências: o canal que se constrói sozinho
A partir do terceiro cliente, o canal mais barato é pedir: "conheces outra marca que precise de criativos?". O setor do marketing em Portugal é pequeno — os gestores de performance conhecem-se, mudam de empresa, levam fornecedores com eles. Entrega bem, pede testemunho no dia da entrega, e pergunta pela referência um mês depois, quando os resultados dos ads já apareceram.
Script literal, por email: "Fico contente que os vídeos estejam a converter. Trabalho por referência — se conheceres alguém noutra marca que precise de criativos para ads, apresenta-nos que eu trato do resto." Uma frase, zero pressão, e planta a semente no sítio certo.
O pitch por email e DM que recebe resposta
Encontra a pessoa certa. Não escrevas para o email geral. Procura no LinkedIn quem gere marketing, digital ou performance na marca. Em marcas pequenas, escreve ao fundador — responde mais depressa. Em DM de Instagram, escreve à conta da marca só quando não encontras a pessoa; e nesse caso pede o contacto certo em vez de despejar o pitch inteiro.
Escreve curto. Assunto do email incluído: "Vídeos UGC para os vossos anúncios — 2 exemplos" abre; "Proposta de parceria 🤝" morre na caixa de entrada. O pitch que recebe resposta tem 5 linhas:
- Porquê esta marca, especificamente ("vi os vossos anúncios no TikTok das últimas semanas…");
- O que fazes, numa frase ("crio vídeos UGC para anúncios — estética real, feitos para converter");
- Prova: link do portfólio com 2 exemplos do setor deles logo no topo;
- Proposta concreta: "3 vídeos de teste com 2 hooks cada por €X" ou call de 15 minutos;
- Assinatura com um link único — um link na bio com portfólio e packs com preço faz o trabalho todo.
Follow-up único após 5–7 dias úteis, no mesmo fio de email, com uma frase nova (um exemplo recente, uma ideia para um anúncio deles). Depois segue em frente — o não-respondeu de hoje é o cliente de daqui a 3 meses se continuares a aparecer.
Volume realista: 10 pitches por semana. Expectativa honesta, como regra de planeamento e não como estatística de mercado: com portfólio bom e pitch personalizado, conta com uma resposta por cada dez a vinte envios — 2 a 4 conversas por mês. Parece pouco; chega para arrancar. Regista tudo numa folha simples (marca, pessoa, data, estado): sem registo, o follow-up morre — e é no follow-up que se fecham negócios.
Direitos de utilização e acordo escrito
É aqui que os principiantes perdem mais dinheiro. Um vídeo UGC não é só o ficheiro: é também quem o pode usar, onde e por quanto tempo. O guia de preços da Influee documenta a prática de mercado para estes extras:
| Extra | Prática de mercado | Fonte |
|---|---|---|
| Direitos de utilização (usage rights) | +30–50% do valor base | Guia de preços da Influee |
| Whitelisting / Spark Ads | ~30% do valor base, por mês | Guia de preços da Influee |
| Variações de hook/CTA | ~$50 por variação | Guia de preços da Influee |
| Urgência (rush fee) | +25–50% | Guia de preços da Influee |
