
O stack completo de um explicador em 2026 tem seis peças: um canal de angariação (Superprof ou Classgap), uma sala de aula online (Zoom ou Google Meet), um quadro branco partilhado (Miro), um estúdio de materiais (Canva), um organizador de alunos (Notion) e uma caixa registadora com agenda (Shelf). Na prática, isto divide-se em dois negócios: angariar alunos novos, onde os marketplaces mandam, e manter e cobrar os alunos que já tens, onde os marketplaces ou levam comissão ou não ajudam nada. O erro mais caro do nicho é pagar 16–32% de comissão sobre alunos que já eram teus.
Como escolhemos as ferramentas para explicadores
- Custo real por aula: comissões e taxas explícitas, em euros, verificadas nas páginas oficiais a 19/08/2026
- Angariação vs. gestão: dizemos claramente para que metade do negócio cada ferramenta serve
- Realidade portuguesa: MB WAY (é assim que os encarregados de educação pagam), euros, encarregado de educação como pagador
- Simplicidade para o aluno: marcar, pagar e entrar na aula sem fricção
Tabela comparativa rápida
| Ferramenta | Serve para | Custo (2026) | Comissão sobre aulas |
|---|---|---|---|
| Superprof | Angariar alunos | Grátis p/ professor (aluno paga o Passe) | 0% |
| Classgap | Angariar + dar aulas | Registo grátis | 16–32% + taxa na 1.ª aula |
| Shelf | Cobrar e gerir os teus alunos | €29/mês ou €99/ano | 0% (só taxa Stripe) |
| Sala de aula online | Grátis (40 min); Pro pago | — | |
| Miro | Quadro branco online | Grátis (3 quadros editáveis) | — |
| Materiais e resumos | Grátis; Pro pago | — | |
| Organizar alunos e aulas | Grátis (1 pessoa) | — | |
| Comunicação c/ encarregados | Grátis | — |
1. Superprof: o maior diretório de explicadores em português
A Superprof é onde os alunos portugueses procuram explicadores, e para o professor anunciar é gratuito, sem comissão sobre as aulas. O modelo é o Passe Aluno: uma subscrição mensal paga pelo aluno para aceder aos contactos dos professores, cujo valor só é debitado se o professor aceitar o pedido — o preço atual do Passe, confirma no site da Superprof.
Os preços praticados dão-te o benchmark do mercado: a própria Superprof indica que as explicações online em Portugal custam em média €10 a €20 por hora. Em regra, o pagamento é combinado diretamente entre ti e o aluno, fora da plataforma.
O problema que a Superprof não resolve: entregou-te o contacto, e depois? Cobras por MB WAY manual, controlas aulas num caderno e as remarcações vivem no WhatsApp. É aqui que a maioria dos explicadores perde horas todas as semanas — e é exatamente a metade do negócio que tratamos nas ferramentas 3 a 8.
Veredicto: obrigatória para angariação. Insuficiente para gestão.
2. Classgap: aulas integradas, mas a comissão dói
O Classgap é um marketplace de aulas online: registo de tutor gratuito e cada tutor define o seu preço. A sala de aula virtual vem incluída — vídeo, chat, quadro branco digital, editor colaborativo e partilha de ecrã — o que o torna a opção mais "chave na mão" para começar do zero.
O custo está na comissão, escalonada pelas horas dadas na plataforma: 32% com menos de 25 horas, depois 27% (25–59h), 23% (60–299h), 18% (300–499h) e finalmente 16% a partir das 500 horas (contadas nos últimos dois anos). Na primeira aula com um aluno novo, a fatia do Classgap depende do nível de visibilidade do perfil: com visibilidade básica fica com 50% do valor da aula, com visibilidade superior fica com 100%; sem visibilidade extra aplica-se apenas a comissão normal. Os pagamentos são em euros, ao fim do mês, com mínimo acumulado de €25, por transferência SEPA na Europa.
Faz as contas: numa aula de €15, um tutor novo entrega €4,80 ao Classgap — em cada aula, enquanto o aluno ficar na plataforma. Mesmo no patamar máximo de experiência, são €2,40 por aula, para sempre.
Veredicto: justifica-se para angariar alunos (incluindo internacionais) e encher agenda no início. Para alunos recorrentes, 16–32% de comissão é dinheiro que devia ser teu.
3. Shelf: a caixa registadora dos teus alunos
A Shelf resolve a metade que os marketplaces ignoram: os alunos que já são teus. Crias uma página com agenda de marcações onde o aluno (ou o encarregado de educação) escolhe o horário e paga no ato por MB WAY ou cartão, e vendes packs de 5 ou 10 aulas pagos à cabeça — adeus "depois acertamos no fim do mês". O guia de marcações com pagamento antecipado explica porque é que isto praticamente elimina as faltas.
Preços: €29/mês ou €99/ano, 14 dias de trial (com cartão no registo), alunos ilimitados, 0% de comissão — pagas só a taxa Stripe (cartão europeu: 1,5% + €0,25). Com cupões (desconto de irmãos, por exemplo), emails automáticos de confirmação e analytics.
E há o rendimento extra do nicho: os teus materiais. Resumos, exercícios resolvidos e minicursos de preparação para exames vendem-se como produtos digitais na mesma loja — o guia de como vender resumos online mostra o potencial, e há explicadores a transformar a matéria de exame em cursos online que rendem sem horas na cadeira. A página para explicadores mostra o conjunto.
Limites honestos: a Shelf não é sala de aula (precisas do Zoom ou Meet) nem LMS de turmas (não corrige trabalhos nem gere pautas).
Veredicto: a €29/mês fixos, o breakeven face a uma comissão de marketplace chega com poucas aulas por mês — as contas concretas estão na secção "Na prática em Portugal".
🧰 Uma ferramenta que junta loja, marcações e cursos
Em vez de 5 subscrições: página profissional, checkout MB WAY e 0% comissão. 14 dias grátis.
Experimentar a Shelf →4. Zoom: a sala de aula online
O plano gratuito tem o pain point clássico do explicador: 40 minutos por reunião (até 100 participantes), ou seja, a aula de 60 minutos corta a meio — e reentrar na chamada durante a explicação de derivadas não é experiência que se ofereça a quem paga. O Zoom Pro sobe o limite para reuniões até 30 horas; o preço em euros já não aparece na página de planos, por isso confirma no site antes de subscrever.
Alternativa gratuita: o Google Meet, sem instalação para o aluno e com a duração suficiente para aulas 1-para-1 — a comparação completa está em Zoom vs. Google Meet. Se dás aulas pelo Classgap, a sala virtual deles dispensa ambos.
5. Miro: o quadro branco partilhado
Resolver uma equação "a quatro mãos" é o que separa uma explicação online de uma videochamada com PDF. O Miro no plano gratuito permite criar quadros ilimitados, mas só os 3 mais recentes ficam editáveis — para um explicador, funciona bem como um quadro por disciplina (com uma área por aluno), em vez de um quadro por aluno. O plano Starter, a $8/membro/mês com faturação anual, desbloqueia quadros editáveis ilimitados.
Truques do nicho: guarda um quadro-modelo com a grelha de resolução de exercícios, e no fim da aula exporta a área trabalhada como PDF para o aluno rever. Se usas tablet com caneta, o Miro substitui o quadro físico por completo.
6. Canva: resumos e materiais com aspeto profissional
Fichas de exercícios, resumos visuais, apresentações de aula: o Canva gratuito chega para quase tudo o que um explicador produz. O Pro acrescenta a biblioteca premium e o redimensionamento automático — na página internacional aparece a US$180/ano; o preço em euros, confirma no site. Um resumo bem desenhado vale mais €2–3 no preço de venda do que um Word exportado à pressa, e o mesmo ficheiro serve de amostra grátis para captar alunos novos. Já reunimos os truques de Canva mais úteis para criadores — quase todos se aplicam a material didático.
7. Notion: o cérebro da operação
Cada aluno é um pequeno dossier: matéria dada, TPC, datas dos testes, contactos do encarregado de educação, estado dos pagamentos. O Notion no plano gratuito (€0 para uso individual; o Plus custa €9,50/membro/mês) resolve isto com uma base de dados de alunos e uma página por aula — e no dia em que o aluno pergunta "que matéria demos antes das férias?", tens a resposta em dez segundos. O guia de Notion para criadores tem templates que se adaptam bem ao nicho.
Para partilhar fichas e correções do dia a dia, o Google Drive continua a ser o mais universal — mas materiais pagos entregam-se pela loja (a Shelf envia o ficheiro automaticamente após a compra); links de Drive abertos têm o hábito de circular pela turma toda.
8. WhatsApp Business: a comunicação com os encarregados
As remarcações e as dúvidas de última hora vivem no WhatsApp — é inevitável em Portugal. A versão Business (gratuita) dá-te etiquetas por aluno, respostas rápidas e um perfil profissional separado do teu número pessoal. Regra de sobrevivência: comunicação no WhatsApp, marcações e pagamentos na página — misturar os dois é voltar ao caderno.
Na prática em Portugal: três cenários com contas
Cenário 1 — tutor novo no Classgap. 20 aulas por mês a €15: faturas €300, mas no patamar de entrada de 32% (as primeiras 25 horas) entregas €96 à plataforma — mais 50–100% da primeira aula de cada aluno novo, se tiveres visibilidade ativa no perfil. Os patamares descem com as horas, mas mesmo no máximo da experiência (16%, a partir das 500 horas) os mesmos €300 ainda custam €48/mês. É um custo de angariação aceitável no arranque — não é um custo aceitável para alunos que já vêm ter contigo pelo nome.
Cenário 2 — explicador estabelecido com packs. 8 alunos fixos com aula semanal a €20/hora — a média dos orçamentos de explicadores de Matemática na Zaask é precisamente €20/hora, normalmente entre €7 e €30 — dão 32 aulas e €640/mês. Na Shelf, com packs de 10 aulas a €200 pagos à cabeça, cada pack custa €3,25 de taxa Stripe (cartão europeu: 1,5% + €0,25) e a mensalidade de €29 pesa ~4,5% da faturação — contra €102 (16%) a €205 (32%) se as mesmas aulas passassem por um marketplace.
Cenário 3 — a época de exames. Junho e julho concentram procura: em vez de responder a 30 mensagens, publicas um pack "5 aulas de preparação para exame" com os horários disponíveis na agenda, o encarregado de educação paga por MB WAY e o calendário enche-se sozinho. O mesmo mês serve para vender o resumo de Matemática A a €7 a quem não cabe na agenda — vender explicações online e vender materiais são o mesmo funil.
Quando NÃO precisas de mais ferramentas
- Tens 2–3 alunos, todos por referência: MB WAY manual e um caderno chegam. O stack completo justifica-se a partir de ~5 alunos regulares, quando as cobranças e remarcações começam a comer horas.
- Só dás explicações presenciais: Zoom e Miro caem; a agenda com pagamento antecipado e os materiais continuam a fazer sentido.
- Trabalhas num centro de explicações: o centro trata da cobrança e da angariação; o teu investimento pessoal deve ir para materiais próprios (Canva + resumos), que são teus quando saíres.
- Professores com turmas e trabalhos para corrigir: isso é território de LMS (Google Classroom e afins) — cobrimos essa realidade em ferramentas para professores online.
Veredicto final por perfil
- A começar, sem alunos: Superprof (grátis) + Classgap para as primeiras horas + Zoom gratuito ou a sala do próprio Classgap. Aceita a comissão como custo de angariação, por agora.
- 5–15 alunos regulares: o teu lucro está a escapar-se nas cobranças. Shelf para packs pagos à cabeça e marcações com MB WAY + Zoom Pro (a aula inteira, sem cortes) + Miro para o quadro. Mantém a Superprof ligada para novos alunos.
- Centro de explicações ou vários explicadores: Shelf para a montra pública de packs e horários + Notion para a gestão pedagógica + Drive para materiais do dia a dia.
- Explicador-criador (resumos, minicursos): Canva para produzir, Shelf para vender resumos e cursos de preparação para exames — receita que não depende de horas na cadeira.
